CUPIDO
Pastel seco sobre Fabriano 100% algodão
40 X 14,5 cm
Assinado
2010
Entrevista com o Artista para o blog da Plus
http://plusgaleria.com.br/blog/?p=435
01-Gostaria que nos contasse um pouco sobre você.
Nasci em Taguatinga uma cidade satélite, que considero muito mais cosmopolita que Brasília. Em minha adolescência, comecei a me embrenhar pelo meio punk e do rock´n roll. Fiz amigos, comecei a freqüentar exposições, festas e ambientes culturais em Taguatinga, Brasília, Ceilândia e outras cidades satélites.
Nesta época optei por não fazer faculdade. Questionava a influência da instituição na criação artística, porém estava sempre no meio artístico, e conhecendo o que tinha de alternativo e contemporâneo no circuito das artes. Também trabalhei como tatuador por dois anos, ainda ficando resquícios desta referência em meus trabalhos.
02-Com quantos anos você começou a trabalhar com arte?
Desde pequeno já desenhava, mas nada fora do comum e sem valor artístico, só por diversão sabe, então estava sempre desenhando. Foi por volta dos 22 anos que comecei a investir um pouco mais, a fazer cursos e me especializar, mas durante muito tempo ainda achava meu trabalho pouco maduro para ter segurança para expor. Em 2005, tomei coragem para fazer minha primeira exposição, que aconteceu no espaço de mulheres, no CONIC, a babel de Brasília onde cultura, religião, cotidiano, musica e prostituição se fundem. Daí em diante fui cada vez mais me aprofundando e conhecendo os meios artísticos e suas possibilidades.
03-Quando você começou a desenvolver um trabalho mais voltado para o universo gay e "marginal"?
A parte marginal, noctívaga e do submundo já estavam em mim desde a adolescência, gostava de freqüentar porões, guetos e o universo da cultura underground, então bem do começo isso já estava refletido no meu trabalho. O marginal veio antes da arte, a arte foi uma forma de desabafo.
A vontade de trabalhar com o universo gay veio pela falta de referências visuais homoeroticas na minha época , tendo em vista que nas décadas de 80 e 90 o acesso a conteúdos gays eram super restritos, poucos filmes, revistas, programas televisivos e referências homoafetivas, apesar da internet, ainda sinto falta destas referências, por isso a vontade de retratar a cultura gay, para expor e deixar uma referência para futuras gerações com aspectos políticos e ideológicos.
04-Como é a recepção do público frente a seu trabalho?
Tenho tido um retorno muito positivo das pessoas, sempre fazendo perguntas e questionamentos construtivos sobre meu trabalho, elas gostam, pois tenho também uma preocupação estética e técnica com o meu trabalho. A beleza e o erotismo atraem.
05-Por que a preferência por retratar nus masculinos?
Gosto da virilidade, isso me atrai. Gosto quando consigo até sentir o cheiro do homem que retratei hahahaha , cada veia saltada, cada músculo me deixa excitado e como é bom poder se excitar enquanto trabalha, isso é ter prazer pelo trabalho.
06-De que forma você consegue as poses dos modelos? Baseia-se em jornais ou revistas, fotografias, a pessoa posa ao vivo? Como se dá o processo de fazer a obra?
Em alguns trabalhos uso amigos, porém sempre em fotos, pois gosto de estar só enquanto trabalho. Às vezes me uso como modelo quando o momento pede, como no quadro "Sob o capuz de sua vestimenta", mas a maioria são fotos trabalhadas em photoshop, que retiro da internet e modifico até perderem seu formato original.
07-Quais as suas influências, em termos de artistas e movimentos?
Dou muita importância à técnica. Acho que, no momento, para se diferenciar é preciso mostrar que realmente tem talento. No barroco, o jogo de luz e sombra me traz belas possibilidades, como vejo na obra do Caravaggio, também acredito na função política da arte, por isso me identifico com o meio underground e o movimento lowbrow, com referencias de artistas como Mark Ryden e HR Giger, na cena contemporânea, Jenny Saville e Lucian Freud me deixam envolvido com suas técnicas e conteúdos fortes. Há pouco tempo conheci e me envolvi pelas tendências culturais e ideológicas da cultura queer, trabalhos de artistas como Pierre & Gilles e Tom da Finlândia me inspiram.
08-Existe algum projeto de uma exposição em breve? Onde e quando?Acabei de encerrar uma exposição, "Teologia Erótica e Nudez Sem Contexto" onde faço um paralelo entre religião e homoerotismo. A exposição ainda se encontra virtualmente em meu site www.ricardogomesart.com ou no www.circular.art.br . No momento, me encontro em fase de produção de novos trabalhos que vão integrar uma nova montagem da teologia erótica, porém em outra cidade do País, ainda a decidir, onde apresentarei novos anjos, santos e personagens bíblicos.
09-Algum recado para nosso público em especial?
O medo e a omissão fazem o tempo parar, tome consciência da responsabilidade da sua liberdade e felicidade, não tenha medo, as coisas são mais fáceis do que parece, o ser humano tem um poder de superação incrível, e acredite você será muito mais feliz defendendo o que acredita.



